Gloria Steinem deixa legado que ainda inspira a construção de novas lideranças femininas
A morte de Gloria Steinem, aos 92 anos, encerra a trajetória de uma das principais vozes do feminismo nos Estados Unidos, mas deixa uma obra que continua dialogando com desafios presentes em diferentes partes do mundo.
Jornalista, escritora e ativista, Steinem dedicou mais de seis décadas à defesa da igualdade de gênero. Ao longo desse percurso, usou o jornalismo para investigar e dar visibilidade a questões que encontravam pouco espaço na imprensa, ajudou a criar a revista Ms. e participou da fundação de organizações voltadas à participação política, aos direitos das mulheres e à comunicação.
Sua atuação também foi marcada pela capacidade de transformar visibilidade individual em espaços coletivos. Em vez de concentrar sua influência, Steinem ajudou a criar plataformas para que outras vozes fossem ouvidas e novas lideranças pudessem surgir.
Esse aspecto aparece com força em uma das ideias que marcaram sua trajetória. Para Steinem, não havia uma única liderança a ser seguida, mas muitas pessoas capazes de levar a pauta adiante. A metáfora das várias tochas, usadas para acender outras, resume uma visão de liderança baseada na multiplicação, e não na centralização da influência.
Um legado que também conversa com o Brasil
Mais de cinco décadas depois de Steinem se tornar uma das referências do movimento feminista norte-americano, a presença de mulheres em posições de liderança continua sendo uma agenda em construção.
No Brasil, a participação feminina na alta liderança chegou a 37,7% em 2026, segundo o relatório Women in Business, da Grant Thornton. O índice está acima da média global, de 32,9%, mas ainda representa menos de quatro em cada dez posições de alta gestão. No cenário global, mantida a trajetória atual, a paridade de gênero na liderança só seria alcançada em 2051.
Os números ajudam a dimensionar por que o legado de Steinem permanece atual. Ampliar a presença feminina em espaços de decisão depende não apenas da chegada de novas lideranças, mas também da criação de condições para que mais mulheres tenham acesso a oportunidades, desenvolvam suas carreiras e possam ocupar posições de influência.
Essa perspectiva também se aproxima de uma das principais contribuições de Steinem. Ao longo de sua carreira, ela não se limitou a participar das estruturas existentes. Criou novas plataformas, abriu espaço para diferentes histórias e trabalhou para que outras pessoas pudessem assumir papéis de liderança.
No ambiente corporativo, essa lógica se traduz em práticas que vão além da representatividade nos cargos mais altos. Critérios de promoção, recrutamento e seleção, mentoria, desenvolvimento de talentos, apoio à parentalidade e acompanhamento da presença feminina ao longo da carreira são alguns dos elementos apontados como importantes para sustentar esse avanço.
O legado de Gloria Steinem, portanto, não está apenas nas pautas que ajudou a colocar em debate. Está também na forma como construiu espaços para que outras pessoas pudessem ocupar a conversa, ampliar sua influência e continuar o trabalho.
É uma contribuição que permanece relevante para quem pensa em equidade de gênero hoje, inclusive dentro das empresas. Afinal, avançar na liderança feminina também significa criar condições para que a próxima geração não precise começar do zero.
Com informações da Forbes e G1
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