Mulheres recebem 21% a menos que homens, aponta 5º Relatório de Transparência
O Brasil deu passos importantes na formalização do emprego feminino, mas o caminho para a equidade salarial ainda enfrenta barreiras estruturais. Segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado em 27 de abril pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado.
O dado indica uma estagnação preocupante. Em novembro de 2025, a diferença era de 21,2%. Na prática, enquanto a remuneração média masculina chega a R$ 5.039,68, a feminina é de R$ 3.965,94. O levantamento reúne cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais pessoas empregadas e integra as ações previstas na Lei nº 14.611/2023, que tornou obrigatória a igualdade salarial para funções equivalentes.
Avanço no emprego, desafio na contratação
Um dos destaques positivos do relatório é o crescimento da presença feminina no mercado de trabalho. O número de mulheres empregadas aumentou 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. Entre mulheres negras, o avanço foi ainda mais expressivo, com crescimento de 29%, o que representa 4,2 milhões de trabalhadoras.
Apesar disso, a desigualdade aparece já na entrada. O salário mediano de contratação mostra ampliação da diferença. Em 2023, mulheres ingressavam recebendo 13,7% a menos. Agora, a defasagem subiu para 14,3%, indicando que o desequilíbrio começa antes mesmo da progressão na carreira.
Para alcançar uma participação nos rendimentos equivalente à presença feminina no emprego, estimada em 41,4%, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões na massa salarial das mulheres, segundo o próprio relatório.
Mapa da desigualdade regional
Os dados também revelam diferenças relevantes entre os estados. Regiões do Norte e Nordeste apresentam maior proximidade salarial entre mulheres e homens, enquanto estados do Sul e Sudeste concentram os maiores níveis de desigualdade.
| Estado | Proximidade Salarial (Mulheres vs Homens) |
|---|---|
| Piauí | 92,1% |
| Acre | 91,9% |
| Distrito Federal | 91,2% |
| Ceará | 90,5% |
| Paraná | 71,3% |
| Rio de Janeiro | 71,2% |
| Espírito Santo | 70,7% |
Evolução cultural nas empresas
Apesar das disparidades salariais, o relatório aponta avanços na adoção de políticas internas. A proporção de empresas que afirmam possuir iniciativas voltadas à promoção de mulheres cresceu de 38,8% para 48,7%.
Também houve aumento na oferta de jornada flexível, auxílio-creche e licenças estendidas. Esses movimentos indicam uma mudança gradual na cultura organizacional e no reconhecimento da importância de criar condições mais equitativas para o desenvolvimento profissional.
Como avançar na prática
Para transformar esse cenário, empresas podem adotar medidas já consolidadas no mercado. Auditorias internas de equidade salarial ajudam a identificar e corrigir distorções entre funções equivalentes. Programas de mentoria e patrocínio contribuem para ampliar a presença de mulheres em posições de liderança. Já a transparência nos critérios de promoção e remuneração reduz vieses e fortalece a confiança nas decisões.
A igualdade salarial vai além do cumprimento da legislação. Trata-se de uma condição essencial para o desenvolvimento econômico e para a construção de ambientes de trabalho mais justos e sustentáveis. Os dados mostram que o país avançou na inclusão, mas ainda precisa garantir que essa presença se traduza em remuneração equitativa.
Acesse aqui os dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios
Com informações da CNN Brasil e Ministério do Trabalho e do Emprego
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