Relatório aponta que uma a cada três mulheres já sofreu assédio sexual no ambiente profissional
O assédio sexual no ambiente de trabalho ainda é uma realidade presente, muitas vezes silenciosa, na trajetória de mulheres brasileiras. Mais do que episódios isolados, trata-se de um fenômeno estrutural, associado a relações de poder desiguais, que impacta diretamente a segurança, a saúde e o desenvolvimento profissional dentro das organizações.
De acordo com o relatório Panorama da Saúde Mental nas Empresas Brasileiras, da empresa de tecnologia para recursos humanos Gupy, 35% das mulheres afirmam já ter vivenciado esse tipo de situação no ambiente profissional. Apesar da alta incidência, apenas 10% recorrem a canais formais de denúncia, o que indica subnotificação e baixa confiança nos mecanismos institucionais disponíveis.
O avanço dos números ocorre em paralelo à maior visibilidade do tema nos últimos anos, impulsionada por debates públicos e movimentos sociais. Ainda assim, especialistas apontam que o crescimento dos registros pode estar mais relacionado à maior disposição das vítimas em reconhecer e relatar o assédio do que necessariamente a um aumento recente na incidência.
A baixa taxa de denúncias revela um cenário preocupante: entre as mulheres que optaram por não formalizar a situação, mais da metade afirma não acreditar que haverá uma mudança (55,7%), enquanto uma parcela significativa aponta o medo de retaliação como fator determinante (41,8%). Esse contexto evidencia que a existência de canais de denúncia, por si só, não garante sua efetividade.
Subnotificação: nove em cada 10 casos não chega a ser registrado
Embora a frequência dos casos já seja, por si só, um sinal de alerta, o baixo índice de denúncias revela a profundidade do problema: apenas 10% das mulheres que sofreram assédio sexual no trabalho recorreram aos canais formais de reclamação, revela o estudo.
A distância entre o que acontece e o que é reportado expõe uma fragilidade estrutural, indicando que a simples existência de canais não garante, por si só, que eles sejam acessados ou considerados eficazes.
Avanço das denúncias na Justiça
Outro dado relevante é crescimento de 35% nas ações judiciais relacionadas ao tema entre 2023 e 2024, com base em informações do Tribunal Superior do Trabalho. O movimento sugere que, diante da baixa confiança nos processos internos, muitas vítimas buscam alternativas fora das empresas para lidar com o problema.
Esse crescimento reflete tanto uma maior incidência quanto uma mudança no comportamento das vítimas, que passam a buscar instâncias externas diante da baixa confiança nos canais internos das empresas.
Sem setor nem nível hierárquico
Embora o problema atravesse diferentes setores, a forma como ele é percebido em termos de gravidade varia conforme o ambiente institucional e a cultura de cada organização, com as avaliações mais críticas estando no setor social e em organizações da sociedade civil.
Na ordem, ONGs e setor público aparecem como os ambientes com avaliação mais negativa, com 17,24% dos respondentes classificando a questão do assédio de forma crítica. Depois, surgem educação (7,3%), marketing, publicidade e comunicação (7,25%), varejo e atacado (6,93%) e serviços de saúde (6,41%).
Com informações de InfoMoney
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