Lactare Banco de Leite humano atua para ampliar o apoio a amamentação frente aos desafios no ambiente corporativo
A amamentação é um pilar fundamental para a saúde de bebês e mães. Estudos indicam que bebês amamentados têm um risco 60% menor de morrer por síndrome de morte súbita infantil e menor incidência de doenças como diarreia e infecções respiratórias. Para as mães, amamentar reduz o risco de câncer de mama e ovário, além de auxiliar na recuperação pós-parto. No entanto, a conciliação entre amamentação e trabalho é um desafio. Apenas 3 em cada 10 mães com jornadas de 8 horas ou mais conseguem manter o aleitamento materno exclusivo. Este cenário ressalta a necessidade de apoio corporativo para que mulheres possam exercer plenamente a maternidade sem comprometer suas carreiras.
É neste cenário que a iniciativa Lactare se torna um exemplo inspirador para o mercado. Desde 2019 o projeto já coletou mais de 18 mil litros de leite humano, cadastrou mais de 16 mil doadoras e beneficiou mais de 6 mil bebês prematuros.
Para entender melhor o impacto e os desafios desta importante ação conversamos com Sayonara Medeiros, Coordenadora do Lactare. A entrevista completa revela como o suporte à amamentação se traduz em benefícios para as colaboradoras e para o ambiente corporativo como um todo. Confira.
Como surgiu a ideia do Lactare e qual foi a visão inicial?
O Lactare nasceu em 2019 com o propósito de contribuir para a saúde de recém-nascidos prematuros e apoiar mulheres e famílias ao longo da jornada da amamentação. Desde o início, a proposta foi estruturar uma iniciativa social com atuação especializada, seguindo protocolos e diretrizes da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, unindo orientação, educação, coleta, processamento e distribuição gratuita de leite humano para hospitais públicos, com foco na saúde neonatal e no apoio às famílias.
Qual o diferencial do trabalho de vocês hoje?
A atuação do Lactare se organiza em diferentes dimensões da mesma causa.
Como banco de leite humano, realiza a coleta, o processamento e a distribuição gratuita de leite humano para UTIs neonatais de hospitais públicos parceiros. Com as nutrizes, oferece acolhimento, orientação especializada, teleatendimento e coleta domiciliar, facilitando a doação e apoiando a amamentação. E, junto às empresas, contribui com informação, sensibilização e apoio técnico para a criação de ambientes mais favoráveis à amamentação, especialmente no retorno ao trabalho.
Essa atuação já se traduz em resultados importantes: mais de 18 mil litros de leite humano coletados, mais de 16 mil doadoras cadastradas e mais de 6 mil bebês prematuros beneficiados.
Como essa iniciativa impacta diretamente as colaboradoras e o ambiente corporativo?
Para as colaboradoras, o principal ganho é contar com informação qualificada, acolhimento e estrutura adequada para manter a amamentação com mais segurança após o retorno ao trabalho. Esse apoio também pode reduzir inseguranças, sobrecargas e sentimentos de culpa comuns nesse período, contribuindo para o bem-estar e a saúde mental das lactantes.
Para as empresas, apoiar essa jornada fortalece a cultura de cuidado, o vínculo com as equipes e os compromissos com parentalidade, diversidade, equidade e inclusão, além de contribuir para um ambiente mais acolhedor e favorável à permanência de profissionais.
Por onde uma empresa deve começar e quais os principais desafios?
O primeiro passo é reconhecer que o retorno ao trabalho após a licença-maternidade exige cuidado, escuta e estrutura, além de informação sobre a legislação vigente, normas aplicáveis e direitos das lactantes. A empresa pode começar aos poucos, incrementando o que já faz: mapear necessidades, oferecer informação qualificada, estruturar ou aprimorar salas de apoio à amamentação e preparar lideranças para acolher essa pauta com naturalidade.
Os principais desafios estão na implementação e na continuidade: garantir estrutura adequada, comunicar bem o benefício, engajar lideranças e transformar a iniciativa em uma prática permanente, não apenas em uma ação pontual. O Ministério da Saúde já disponibiliza orientações sobre salas de apoio, e o Lactare pode apoiar empresas com modelos, conteúdos e direcionamentos técnicos.
Um desafio importante é conectar as ações de apoio à amamentação à pauta da doação de leite humano. Temos conhecido empresas que já fazem um bom trabalho com suas colaboradoras, mas ainda desconhecem que parte do leite ordenhado, quando excedente e dentro dos critérios técnicos, pode ser doado em vez de descartado, ajudando bebês prematuros internados em UTIs neonatais.
Quais resultados mais inspiram vocês?
O impacto da doação de leite humano na vida dos bebês prematuros é sempre o resultado mais imediato e mensurável. Mas também nos inspira ver mulheres conseguindo manter a amamentação com apoio adequado, inclusive após o retorno ao trabalho. Quando uma empresa incorpora esse cuidado à sua cultura, ela envia uma mensagem importante: a maternidade não deve ser vista como uma barreira à trajetória profissional. Ambientes que apoiam a amamentação promovem bem-estar, fortalecem vínculos e contribuem para a permanência de mulheres no mercado de trabalho.
Como outras empresas podem se engajar e qual a visão de futuro?
As empresas podem se engajar de diferentes formas: disseminando informação de qualidade, apoiando lactantes no retorno ao trabalho, estruturando salas de apoio à amamentação, promovendo rodas de conversa e conectando pessoas interessadas em doar aos canais adequados da rede de bancos de leite humano.
Como o Lactare é uma iniciativa sem fins lucrativos, as parcerias são voltadas à educação, sensibilização, fortalecimento da cultura de cuidado e impacto social. Para o futuro, queremos ampliar essa rede de apoio. Quanto mais empresas incorporarem essa agenda, maior será a contribuição para a saúde materno-infantil, a equidade de gênero e a permanência de mulheres no ambiente de trabalho.
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