Brasil avança na liderança feminina de empresas de médio porte enquanto mundo registra recuo, revela relatório da Grant Thornton
A presença feminina na alta liderança ao redor do mundo registrou um recuo significativo no último ano, marcando um momento de alerta para o mercado global. Segundo a nova edição do relatório Women in Business 2026, divulgado pela empresa global de consultoria e auditoria Grant Thornton, a representação de mulheres em cargos de alta gestão caiu 1,1 ponto percentual e chegou a 32,9%.
O estudo, que há 22 anos monitora o progresso da equidade de gênero no mundo, reforça que o avanço nessa agenda não é linear e exige priorização estratégica constante. A edição mais recente analisou 15 mil empresas de médio porte em mais de 35 países.
Apesar desse cenário de retração global, o Brasil segue na contramão da tendência e alcançou 37,7% de mulheres em posições seniores. O crescimento de 1,1 ponto percentual coloca o país acima da média mundial e também da América do Sul.
Esse progresso nacional é sustentado por números expressivos. Apenas 3,2% das empresas de médio porte no Brasil ainda não possuem mulheres em posições sêniores de liderança. O país também se destaca ao registrar 45% das posições de CFO ocupadas por mulheres.
Um dos principais motores desse avanço está nas empresas de médio porte. Diferentemente de parte das grandes corporações, que reduziram investimentos em Diversidade, Equidade e Inclusão entre 2024 e 2025, esse segmento manteve foco no pragmatismo empresarial.
No Brasil, 92,7% das empresas do middle market possuem iniciativas de DE&I implementadas, e 75,8% demonstram alto comprometimento com a igualdade de gênero. Esse engajamento também segue em expansão. Cerca de 36,8% das organizações já planejam novas medidas para acelerar a agenda, reconhecendo que o investimento em diversidade está associado ao crescimento da receita e à ampliação das equipes.
Além dos resultados financeiros, esse compromisso consolidou-se como diferencial competitivo para retenção e atração de talentos em um mercado cada vez mais exigente. O relatório aponta que 91,9% das lideranças de empresas de médio porte consideram as iniciativas de igualdade de gênero de uma organização antes de aceitar uma nova posição.
Mesmo com o fôlego positivo do Brasil, o alerta global permanece relevante. Élica Martins, sócia de auditoria da Grant Thornton, destaca que “o avanço da equidade de gênero pode sofrer retrocessos quando deixa de ser tratado como prioridade estratégica”. No ritmo atual, a paridade na gestão só deve ser alcançada em 2051.
Com a queda global na alta gestão servindo de sinal de alerta, este é um momento decisivo para que organizações promovam transformações estruturais na cultura organizacional e garantam que o progresso seja sustentável e verdadeiramente inclusivo.
Confira o relatório Women in Business 2026 na área de publicações do site.
Com informações de Grant Thornton e Forbes
Mais notícias
Estudo revela que ações de equidade de gênero em 75% das companhias não geram resultados duradouros