O alerta silencioso que está afastando as mulheres do trabalho nos Estados Unidos
Uma pesquisa recente divulgada pela Catalyst acendeu um alerta para o ambiente corporativo nos Estados Unidos. Entre janeiro e agosto de 2025, quase meio milhão de profissionais deixaram seus postos de trabalho, totalizando 455 mil desligamentos, tanto voluntários quanto involuntários.
Mais do que o volume de saídas, chama atenção o motivo por trás dessas decisões. Entre aquelas que pediram demissão, 42% apontaram as responsabilidades relacionadas ao cuidado familiar, incluindo os altos custos com creche, como fator determinante para a saída.
O acúmulo de tarefas de cuidado e o valor elevado de berçários e escolas infantis, que em alguns estados já superam o custo do aluguel, têm tornado inviável a permanência no emprego para muitas profissionais. Esse cenário se agrava quando a remuneração não acompanha o aumento dessas despesas. Quase uma em cada cinco entrevistadas citou a insatisfação salarial como elemento que contribuiu para a decisão de sair.
Dados do Think Tank Economic Policy Institute reforçam esse contexto ao indicar que o custo do cuidado com bebês já é mais alto do que o aluguel em 17 estados norte-americanos e supera o valor da mensalidade de faculdades públicas em 38 estados.
A pesquisa também evidencia o papel da rigidez organizacional nesse processo. Cerca de 40% das pessoas que pediram demissão relataram que seus empregadores não ofereciam opções reais de horários flexíveis ou outras formas de apoio no dia a dia.
O impacto é ainda mais significativo entre profissionais de 25 a 44 anos com filhos menores de cinco anos, faixa etária que sustenta o futuro da força de trabalho. Nesse grupo, a participação no emprego caiu 2,8%, segundo dados do The Care Board.
O estudo ouviu mais de mil profissionais entre outubro e novembro de 2025 e comparou as experiências de quem deixou o trabalho naquele ano com as de quem permaneceu empregada em tempo integral.
“Esta pesquisa deixa claro que a saída das mulheres do mercado de trabalho não se deve à falta de ambição ou comprometimento, ela reflete a realidade de que muitos empregos ainda não levam em conta as responsabilidades de cuidado e as pressões econômicas. Se quisermos entender por que as mulheres estão saindo, precisamos analisar como o trabalho continua sendo estruturado”, reforça Jennifer McCollum, presidente e CEO da Catalyst.
Embora o estudo tenha como foco o contexto dos Estados Unidos, os resultados funcionam como um sinal de alerta para empresas brasileiras. Em um país onde a economia do cuidado também recai majoritariamente sobre as mulheres, a ausência de políticas de flexibilidade, apoio parental e revisão das jornadas pode gerar impactos semelhantes. Investir em horários mais flexíveis e estruturas que considerem a vida fora do trabalho não é apenas uma pauta de bem-estar, mas uma estratégia essencial para retenção de talentos femininos e sustentabilidade organizacional no médio e longo prazo.
Com informações de Forbes e Catalyst
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