Ascensão profissional e sobrecarga marcam os desafios das mulheres no mercado de trabalho
Embora o mês de março tenha trazido reflexões importantes sobre os direitos das mulheres, o cenário atual do mercado de trabalho demonstra que a busca por equidade de gênero precisa ser uma prioridade constante nas agendas corporativas. Dados do levantamento Oldiversity, realizado pela Croma Consultoria, revelam que a percepção de desigualdade ainda é uma realidade marcante para a maior parte das profissionais brasileiras.
Um dos pontos de maior atenção na pesquisa indica que 74% das mulheres associam o crescimento na carreira a um aumento na sobrecarga de funções. Esse sentimento é compartilhado por menos da metade dos homens, evidenciando que a ascensão profissional feminina ainda carrega o peso de expectativas e acúmulos que não atingem as pessoas do gênero masculino da mesma forma.
Mila Rabelo, CLO da techfin Paag, defende que crescer na carreira não deveria implicar em aceitar a sobrecarga como parte do processo.
“Quando o mercado passa a olhar com mais atenção para a saúde mental das mulheres, abre-se espaço para modelos de trabalho mais conscientes e equilibrados. Esse movimento ainda está em construção, mas é um passo importante para que o avanço feminino nas empresas venha acompanhado de condições reais de permanência, desenvolvimento e bem-estar”, afirma.
Disparidades na liderança e remuneração
A percepção de desequilíbrio se estende ao topo das organizações. De acordo com o estudo, 82% das entrevistadas acreditam que colegas homens recebem salários maiores mesmo em cargos equivalentes. Além disso, 83% das mulheres notam uma presença feminina significativamente menor em posições de alta gestão.
Esses números reforçam a urgência de que empresas adotem políticas transparentes de equidade salarial e programas estruturados para o desenvolvimento de lideranças femininas. Para o Movimento Mulher 360, esses dados confirmam a necessidade de transformar a cultura organizacional para que o avanço na carreira venha acompanhado de condições reais de bem-estar e permanência.
Confiança e transformação necessária
Apesar dos obstáculos e da percepção de discriminação na contratação relatada por muitas profissionais, a confiança na própria capacidade é elevada. Cerca de 73% das participantes afirmam que são plenamente capazes de realizar as mesmas funções que os homens.
O mercado de trabalho ainda caminha a passos lentos para se adaptar às demandas de equidade. Apenas metade das pessoas entrevistadas sente que as empresas estão de fato incorporando as pautas dos movimentos feministas. O desafio para as organizações é converter essas percepções em ações práticas que promovam ambientes mais inclusivos e justos para todas as pessoas.
“O levantamento reforça que ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e promover ambientes corporativos mais inclusivos permanece uma agenda estratégica para o futuro do trabalho e que vale ser trabalhada como pauta prioritária sempre”, alerta Edmar Bulla, fundador da Croma Consultoria.
Com informações da Você RH
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