Avanço da participação feminina perde ritmo em países da OCDE
O mais recente relatório Women in Work 2026, divulgado pela PwC, revela um cenário complexo para a participação feminina no mercado de trabalho global. Embora a lacuna de gênero esteja diminuindo em muitos países da OCDE, o ritmo de progresso desacelerou significativamente, atingindo o menor patamar desde a pandemia de COVID-19. A principal causa está na combinação entre o aumento do custo de vida, que pressiona mais mulheres a buscar emprego, e uma desaceleração econômica que limita a criação de vagas.
Os dados reforçam a necessidade de políticas robustas que apoiem a entrada e a permanência das mulheres no mercado, especialmente em um contexto de incertezas econômicas.
Custo de vida impulsiona participação, mas desemprego aumenta
O estudo da PwC aponta que as mulheres estão retornando ao mercado de trabalho em números crescentes, impulsionadas não apenas por avanços sociais, mas também por uma necessidade econômica. A lacuna de participação entre homens e mulheres na OCDE diminuiu em 0,3 ponto percentual, e a diferença salarial de gênero caiu para 12,4%.
No entanto, essa maior busca por emprego não foi acompanhada por uma oferta suficiente de vagas. Pela primeira vez desde 2011, o desemprego feminino registrou aumento. Segundo o relatório, as pressões do custo de vida seguem como o principal motor desse movimento, com mais mulheres entrando ou reentrando no mercado para estabilizar as finanças domésticas.
O alerta das jovens que estão fora do estudo e do trabalho
Um dos pontos de maior preocupação é o crescimento do número de jovens mulheres que não estudam, não trabalham e não estão em treinamento. Fatores como baixa qualificação educacional e problemas de saúde, especialmente mental, aparecem como barreiras críticas.
No Reino Unido, por exemplo, 25% das jovens sem qualificações formais correm o risco de ficar fora do estudo e do trabalho, em comparação com 19% dos homens. O relatório destaca que essas vulnerabilidades se intensificam quando combinadas a outros fatores, como origem étnica ou condições de saúde preexistentes.
Políticas de apoio à família fazem a diferença
A Islândia lidera o ranking da OCDE pelo segundo ano consecutivo, com uma taxa de participação feminina de 85,1%, 12 pontos percentuais acima da média. O desempenho também se repete em países como Luxemburgo.
Entre os fatores que contribuem para esse resultado estão políticas públicas que apoiam a mulher trabalhadora e a família, como licenças parentais mais equilibradas e o acesso ampliado a creches.
Essas iniciativas ajudam a reduzir interrupções na trajetória profissional das mulheres e contribuem para diminuir a diferença salarial ao longo do tempo.
Equidade de gênero também é um fator econômico
O relatório projeta que a redução das taxas de jovens inativas aos níveis de 2021 poderia gerar um aumento significativo no PIB do Reino Unido. A estimativa reforça que a equidade de gênero não é apenas uma questão social, mas também um fator relevante para o desenvolvimento econômico.
Caminhos para avançar no Brasil
Embora o Brasil não esteja diretamente incluído no relatório, as conclusões oferecem direcionamentos relevantes para empresas e formuladores de políticas públicas.
Educação e qualificação
Investir em programas alinhados às demandas do mercado, com foco em habilidades do futuro, é essencial para reduzir o número de jovens fora do estudo e do trabalho.
Saúde mental
Ampliar iniciativas de apoio psicológico e bem-estar contribui diretamente para a permanência das mulheres no mercado.
Flexibilidade e cuidado
Modelos de trabalho mais flexíveis e políticas de cuidado são fundamentais para reduzir a sobrecarga sobre as mulheres.
Inclusão interseccional
Considerar diferentes realidades e identidades é essencial para que o avanço seja, de fato, para todas.
Para ler o relatório Women in Work 2026 na íntegra (em inglês), acesse https://bit.ly/4v8vJSq
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