Estudo revela que ações de equidade de gênero em 75% das companhias não geram resultados duradouros
O mês de março costuma concentrar painéis, palestras e homenagens às mulheres dentro e fora do ambiente corporativo. Um levantamento recente da consultoria Todas Group, realizado com áreas de RH de 50 grandes organizações no Brasil, acende um alerta sobre a sustentabilidade dessas iniciativas ao longo do ano, fenômeno chamado de “Efeito Março”.
O termo descreve a concentração de esforços no desenvolvimento de carreiras femininas apenas nesse período, de forma isolada e sem continuidade prática. Segundo o estudo, 65,5% das companhias admitem promover iniciativas pontuais, enquanto 75,8% afirmam que esses movimentos raramente ou nunca geram resultados concretos nos meses seguintes.
Entre as organizações ouvidas, também há pouca clareza sobre os objetivos estratégicos dos investimentos realizados em função do Dia Internacional da Mulher. Celebrado em 8 de março, a data tem origem nas mobilizações por direitos trabalhistas, igualdade salarial, condições dignas de trabalho e participação política.
O cenário se torna mais evidente à medida que se avança na estrutura hierárquica. Apenas 11,1% das companhias acompanham o impacto das iniciativas por meio de indicadores de sucessão, promoção ou retenção, e somente 25% estabelecem critérios objetivos para avaliar a prontidão de mulheres para posições de alta liderança.
A dificuldade de ascensão começa cedo. No setor automotivo, por exemplo, mulheres representam 55% de estagiárias e trainees, mas essa presença diminui nos cargos de diretoria (18%), presidência (15%) e conselhos de administração (14%), segundo dados da Automotive Business e da MHD Consultoria.
Mesmo quando chegam ao topo, a permanência tende a ser mais curta. O “Índice Global de Rotatividade de CEOs” (2025), da Russell Reynolds, indica que executivas permanecem, em média, três anos a menos na presidência em comparação a seus pares masculinos.
A consequência da ausência de uma estratégia contínua é a perda de diversidade na alta liderança, fator associado à inovação e à performance financeira.
A Todas Group recomenda a adoção de metas acompanhadas regularmente, programas estruturados de mentoria e patrocínio, revisão de critérios de promoção para mitigar vieses inconscientes e investimentos consistentes ao longo de todo o ano, independentemente do calendário.
Com informações de Todas Group, Russell Reynolds e Automotive Business/MHD Consultoria
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