Violência doméstica entra no topo dos riscos à saúde de mulheres adultas
Pela primeira vez, um estudo confirma que a violência doméstica e o abuso sexual contra crianças podem representar riscos superiores a diversas doenças e condições de saúde tradicionais. Uma pesquisa abrangente da revista científica The Lancet, baseada em dados do Global Burden of Disease 2023, revela o impacto devastador da violência na saúde física e mental das mulheres.
O levantamento, que analisou 204 países entre 1990 e 2023, encontrou evidências claras de que a violência agrava quadros de depressão, suicídio, automutilação, HIV/AIDS, transtornos de ansiedade e complicações obstétricas, como abortos e hemorragias maternas. Em crianças, a violência sexual precoce foi associada a agravantes como diabetes tipo 2, transtorno bipolar, esquizofrenia e asma na vida adulta.
Em 2023, 145 mil mulheres com mais de 15 anos morreram em decorrência da violência por parceiro íntimo. Um dado alarmante do estudo é que o suicídio (60 mil mortes) superou o feminicídio (28 mil mortes) como causa principal, evidenciando o sofrimento psicológico extremo das vítimas. No caso da violência sexual na infância, o número de mortes atribuídas chegou a 290 mil, também com a automutilação como principal fator.
A violência contra a mulher não se restringe ao ambiente doméstico, ela transborda para a sociedade e para a economia. Dados da Universidade Federal do Ceará indicam que o absenteísmo causado pela violência doméstica gera uma perda anual de cerca de R$ 1 bilhão para o mercado de trabalho nacional.
As empresas, pelo seu papel social, são corresponsáveis no enfrentamento deste tema. Por isso, é necessário que a prevenção à violência e ao assédio faça parte da agenda prioritária das organizações, oferecendo suporte real às vítimas e promovendo uma cultura de proteção. A violência contra a mulher é evitável, e o engajamento corporativo é uma peça-chave para mudar esta realidade.
Saiba como as empresas podem atuar na prevenção e suporte ao fazer o download gratuito do e-book Dicas e orientações para empresas acelerarem a jornada contra violência e assédio contra a mulher.
Com informações da Folha de S.Paulo
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