Gênero e raça ainda definem quem ganha mais no topo das empresas, diz IBGE
A Síntese de Indicadores Sociais 2025, do IBGE, acende um alerta sobre a persistência das desigualdades de gênero e raça no topo da hierarquia corporativa brasileira. Mesmo ocupando funções equivalentes de gerência ou direção, mulheres, especialmente mulheres negras, seguem recebendo menos do que homens e pessoas brancas.
Segundo o levantamento, a diferença média de rendimentos entre mulheres e homens é de 27,2% em favor deles. Nos cargos de maior remuneração, como diretoria e gerência, o contraste é ainda maior: homens recebem, em média, R$ 10.073, enquanto mulheres recebem R$ 6.776, uma diferença de R$ 3.297.
Quando observamos a variável racial, o cenário se agrava. A renda média de pessoas brancas é 65,9% superior à de pessoas pretas ou pardas considerando todos os trabalhos. Nas funções de liderança, a discrepância também é expressiva: R$ 9.831 para trabalhadores brancos contra R$ 6.446 para trabalhadores pretos ou pardos.
A combinação dessas desigualdades evidencia o impacto da interseccionalidade: mulheres negras na liderança acumulam desvantagens de gênero e raça, sendo o grupo mais prejudicado.
As disparidades não se explicam por formação, experiência ou horas trabalhadas. São reflexo de vieses estruturais que continuam desvalorizando o trabalho de mulheres e de pessoas pretas e pardas. O rendimento-hora dos homens (R$ 20,40) segue 14,5% acima do das mulheres (R$ 17,80), diferença que chega a 45,3% entre pessoas com ensino superior. Em todos os níveis educacionais, trabalhadores brancos recebem mais do que trabalhadores pretos ou pardos.
A distribuição da força de trabalho também reforça a desigualdade: homens se concentram em ocupações mais valorizadas e melhor remuneradas, enquanto as mulheres predominam em serviços e comércio. Entre pessoas pretas ou pardas, a presença em cargos de alta qualificação é menor, e a proporção em ocupações elementares é maior.
Com informações de O Globo
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