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Diferença salarial entre homens brancos e mulheres negras cai R$ 40 em 5 anos

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Durante 2019, mulheres negras receberam, em média, R$ 1.658 menos do que homens brancos. O rendimento deles chegou a R$ 3.567, enquanto o delas foi de R$ 1.909. É o que aponta a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) divulgada pelo Ministério da Economia.

Apesar do gap salarial entre os dois grupos ter diminuído ao longo dos anos, essa redução acontece de forma lenta e desproporcional. Ao comparar os dados da última Rais divulgada, em 2019, com a de 2015, a diferença caiu apenas R$ 40,83. Nesse ritmo, serão necessários mais de 200 anos para atingir a equidade salarial.

Um dos motivos que cria essa lacuna está relacionado aos tipos de profissões ocupadas por mulheres negras. O levantamento mostra, por exemplo, que o setor de telemarketing, em que a média salarial é menor, 42,2% das vagas são ocupadas por elas. Em áreas com melhor remuneração, como o setor financeiro, apenas 11,1% são compostas por colaboradoras negras.

Para mudar esse cenário é preciso acelerar o processo de inserção e ascensão de mulheres negras no mercado corporativo. Mas como?

O Movimento Mulher 360 lista cinco recomendações para as empresas trabalharem o tema e promover o avanço da equidade racial. Confira:

  • Reconheça as intersecções entre gênero e raça
    Compreenda quais dos indicadores da desigualdade, sejam eles relativos à representatividade ou à cultura da organização, são comuns para todas as mulheres e quais são específicos para as mulheres negras. Ao mapear os desafios em relação às questões de gênero, é preciso ter um olhar específico para elas, que enfrentam uma dupla barreira decorrente da soma das questões relacionadas ao machismo e ao racismo.
  • Tenha intencionalidade para atuar na redução das barreiras para mulheres negras
    Aja a partir das diferenças encontradas no mapeamento da sua empresa. Por exemplo, se as mulheres negras não estão em cargos de média e alta liderança, ou se ocupam apenas vagas no setor operacional, repense seus processos com um foco específico. Ele pode ser no momento de atração de talentos, nas etapas de seleção e contratação, desenvolvimento e promoções internas, e até mesmo nas ações de promoção de isonomia salarial.
  • Promova a conscientização em relação aos vieses e preconceitos presentes nos indivíduos e nos ambientes de trabalho
    O racismo é marcado não apenas por manifestações explícitas, injúria ou pela segregação. Ele pode acontecer de maneira sútil por meio de atitudes ou estruturas que normalizam a ausência de pessoas negras, além de reforçar a perpetuação de estereótipos que geram barreiras para o pleno desenvolvimento dessa população no Brasil. Por isso, descubra quais são as situações de preconceito que acontecem na sua organização e como elas impactam o desenvolvimento das mulheres negras. Essa prática amplia a capacidade de avaliação da cultura interna e pode promover mudanças significativas.
  • Envolva todos na redução das desigualdades
    Para reduzir essa e outras desigualdades no ambiente corporativo é preciso envolver a organização em todos os níveis hierárquicos, áreas e saberes. Dessa maneira, os avanços acontecerão de forma mais rápida e eficiente.
  • Olhe a longo prazo e tenha regularidade nas ações
    É preciso regularidade para que as ações sejam eficazes e se tornem parte da cultura organizacional. Tenha metas realistas e que possam ser atingidas a médio e longo prazo. Além de contar com as diferentes áreas da empresa, promova o envolvimento dos setores da sociedade civil e poder público no compromisso de promover a equidade racial e de gênero.

Essas dicas fazem parte do e-book que está disponível para download gratuito em https://bit.ly/3mIzWZg. A publicação traz, ainda, pontos de atenção e recomendações de leitura.

Com informações do Uol Economia.

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