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3 dicas para falar sobre equidade de gênero em casa

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Foto de um homem trocando a fralda de um bebê.

Estimativas do Fórum Econômico Mundial 2020 apontam que serão necessários mais de 250 anos para alcançar a equidade de gênero no mercado de trabalho. Além dos esforços feitos pelas empresas em reduzir as desigualdades entre mulheres e homens, é preciso contar também com a formação de meninas e meninos para promover uma sociedade mais justa e igualitária.

Em artigo publicado na Harvard Business Review, a coach executiva Carol Hagh fala sobre a importância de se capacitar a próxima geração de modo a reduzir os vieses inconscientes, uma vez que o preconceito de gênero se desenvolve no início da vida e pode se acentuar durante a fase adulta.

“Aproximadamente US$ 8 bilhões são gastos por ano em treinamentos para reduzir os vieses inconscientes no local de trabalho somente nos Estados Unidos, e ainda assim o preconceito persiste. O que acaba tendo um impacto de longo prazo e é difícil de mudar na idade adulta e, embora devamos continuar a investir em sua redução, podemos ter um impacto maior intervindo durante a infância, antes que esses estereótipos tenham a chance de se instalar”, diz a executiva.

“A maneira coletiva como criamos os filhos junto com os modelos que mostramos a eles fará a diferença no futuro e, o mais importante, nos valores que terão ao tomarem seus lugares na sociedade”.

A autora sugere três maneiras de influenciar meninas e meninos a terem atitudes mais igualitárias uns com os outros. Confira.

  • Evite perpetuar estereótipos de gênero em casa

Levantamento feito pela Organização Internacional do Trabalho apontou que as mulheres, em 75 países, são responsáveis por mais de três quartos dos cuidados não remunerados. Apesar dessa desigualdade ter sido acentuada pela pandemia da Covid-19, esse pode se tornar o momento ideal para criar um ambiente onde as crianças podem ver mulheres e homens trabalhando de forma igual.

Aproveite a oportunidade para discutir abertamente a divisão do trabalho doméstico e do cuidado infantil. Este assunto pode ser delicado, já que as percepções podem variar de acordo com o membro da família. Por exemplo, o New York Times observou que os homens percebem que são responsáveis por 45% do ensino em casa durante o isolamento social, enquanto suas esposas dizem que eles são responsáveis por apenas 3%. Para evitar qualquer tipo de mal-entendido, vale iniciar a conversa em um tom neutro.

Reveja quais tarefas estão sendo delegadas para as crianças. Os meninos levam o lixo para fora e as meninas lavam a louça? Isso reflete os papéis de gênero dos pais?

Também é um bom momento para questionar o que é “bom o suficiente” em casa. Há muita pressão social sobre as mulheres para manterem uma casa limpa e muitas vezes elas são julgadas por isso, enquanto os homens não.

Por último, avalie os brinquedos e os livros da sua casa. As publicações que você lê mostram personagens masculinos e femininos? Todos os dinossauros são machos e todos os pôneis fêmeas? Todos os personagens fortes são masculinos? Apenas personagens femininos expressam emoção?

  • Converse com seus filhos sobre hierarquias de gênero nas escolas

Assim como dentro de casa, o ambiente escolar também pode acentuar as desigualdades de gênero. As crianças estão sendo educadas em um ambiente onde a maioria dos professores são mulheres, mas a maioria daqueles em funções de liderança e em funções mais bem remuneradas são homens.

Nos Estados Unidos, cerca de três quartos dos professores são mulheres, de acordo com a National Education Association. Mas apenas metade dos diretores do ensino fundamental são mulheres, e esse percentual cai para apenas um terço no ensino médio. Em quase todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores do ensino fundamental, que recebem salários mais baixos, são mais propensos a serem mulheres do que os professores do ensino médio, melhor pagos.

  • Incentive assuntos “não tradicionais” sem focar no gênero

Um estudo realizado no Reino Unido mostrou que duas vezes mais meninos do que meninas tiveram uma carreira em tecnologia sugerida a eles. E o dobro de meninos cita STEM (sigla em inglês que agrupa as disciplinas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) como sua melhor matéria. A mesma pesquisa observou que 78% dos adolescentes mais velhos e jovens adultos eram incapazes de nomear uma mulher famosa dentro da área de tecnologia.

É preciso aproveitar o momento atual em que os pais estão mais próximos do ensino em casa para incentivar o interesse das crianças por diferentes disciplinas. Encontrar vídeos no YouTube sobre assuntos relevantes como experimentos científicos e pesquisar profissões para mostrar que ambos os sexos podem exercê-las, são algumas das opções.

A autora finaliza seu artigo dizendo que “qualquer pequeno passo que tomarmos para apoiar uma maior igualdade na próxima geração ajudará a criar uma sociedade melhor, mais produtiva e mais justa”. Para ler o conteúdo na íntegra, clique aqui.

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