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Margareth Goldenberg

Mini Bio

CEO na Goldenberg Responsabilidade Social e Diversidade, onde atua como consultora estratégica e tática em diversidade, equidade e inclusão em várias empresas. É psicóloga e psicopedagoga, especialista em direitos humanos e mundo corporativo. Há 27 anos, atua nos temas de responsabilidade social, educação, diversidade e equidade de gênero em grandes corporações. Também é professora da ABERJE e IBGC em Diversidade & Inclusão, além de Conselheira da FIESP para questões relacionadas ao tema de Equidade de Gênero na Indústria. Atualmente é membro do Comitê Consultivo do Elas Lideram 2030 – Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres. É palestrante e realiza inúmeros workshops , mentorias e treinamentos para gestores e lideranças de empresa, além de debates e participação em painéis na temática de Diversidade e Equidade de Gênero.

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10 previsões para DE&I em 2026

22 dezembro 2025

2025 foi um ano intenso. Cheio de avanços, retrocessos, disputas narrativas e silenciosas transformações culturais acontecendo dentro das empresas. A agenda de diversidade, equidade e inclusão foi esticada, questionada e, em alguns casos, colocada à prova, não apenas por pressões externas, mas pela própria fadiga organizacional, que produziu anos de ações fragmentadas.

Mas, ao contrário do que alguns imaginaram, DE&I não perdeu relevância. Na verdade, ganhou contornos mais profundos.

Entramos em 2026 com uma clareza que talvez tenha faltado no início da década: DE&I não é uma pauta de nicho, é uma pauta de gestão. Não é sobre identidades específicas, é sobre qualidade organizacional. Não é sobre divisão, é sobre maturidade. E justamente por isso, 2026 não será o ano das campanhas brilhantes. Será o ano da consistência.

A seguir, compartilho dez movimentos que devem marcar o próximo ciclo – não como futurologia, mas como leitura do que já está acontecendo dentro das empresas que decidiram evoluir.

1. DE&I volta para o lugar certo: dentro da estratégia, não ao lado dela

Depois de um ano desafiador, as empresas perceberam que ações pontuais não sustentam uma cultura inclusiva. 2026 será o ano em que DE&I deixa de ser uma agenda paralela e passa a fazer parte da conversa sobre negócio, risco, reputação, cultura e crescimento.

2. Liderança será o grande fator de diferenciação

O que separa empresas que avançam de empresas que estagnam é muito simples: liderança. Não basta “entender o tema”. Será necessário agir, sustentar conversas difíceis, corrigir rumos e assumir responsabilidade pelo impacto que se gera, positivo ou não.

3. Pertencimento deixa de ser sensação e se torna indicador

As organizações entenderão que pertencimento não é poesia corporativa. É uma condição objetiva para que as pessoas permaneçam, se engajem e inovem. Muitas empresas começam 2026 transformando pertencimento em um KPI estratégico.

4. Governança aparece como a peça que faltava

Sem clareza de papéis, prioridades e processos, nada avança. 2026 será marcado pela consolidação da governança de DE&I: comitês fortes, ciclos de revisão, metas transparentes e um caminho claro entre intenção e entrega.

5. A interseccionalidade finalmente ganha profundidade

As empresas vão parar de tratar gênero, raça, pessoas com deficiência, LGBTQIA+ e diversidade geracional como “caixinhas separadas”. O próximo ciclo exige olhar para pessoas reais, que carregam múltiplas camadas de identidade, e múltiplas barreiras, ao mesmo tempo.

6. A agenda se despolariza: incluir não exclui ninguém

2026 será o ano em que DE&I se reconecta com seu sentido mais amplo: o de construir ambientes mais justos para todas as pessoas. Ao despolarizar a pauta, as empresas reduzem resistência, fortalecem a cultura e ampliam o entendimento de que equidade é sobre qualidade organizacional e não sobre “pautas identitárias”.

7. Segurança psicológica se torna condição de performance

Já não há dúvidas: onde há medo, não há inovação. Empresas maduras entenderão que segurança psicológica é uma competência de liderança e uma base para equipes de alta performance, não um detalhe comportamental.

8. Os dados passam a guiar decisões com mais precisão e menos achismo

A era dos “achismos bem-intencionados” acabou. 2026 será marcado por diagnósticos mais finos, conectados com retorno sobre investimento (ROI), recortes interseccionais, dashboards vivos e métricas que sustentam conversas difíceis. Dados não substituem sensibilidade, mas ajudam a manter coerência.

9. Educação inclusiva deixa de ser evento e vira processo

Treinamentos isolados já não bastam. O que veremos em 2026 são trilhas contínuas: mentoria, patrocínio, prática guiada, espaços de diálogo e formação regular para líderes. A cultura muda quando o aprendizado é cotidiano.

10. O maior risco para 2026? Ficar parado.

Se 2025 mostrou os efeitos do improviso, 2026 trará outra mensagem: a inação custa caro. Empresas que adiarem decisões perderão talentos, reputação e diferenciação competitiva. As que avançarem, mesmo com passos pequenos, colherão resultados consistentes no médio e longo prazo.

2026 não será o ano das grandes campanhas. Será o ano da consistência. Da coragem. Da responsabilidade compartilhada. E da capacidade de olhar para pessoas, todas elas, com profundidade, respeito e intenção real de criar ambientes onde ninguém precise se diminuir para caber. DE&I deixa de ser pauta de minoria e passa a ser o que sempre deveria ter sido: uma conversa sobre humanidade, sobre gestão e sobre futuro

Texto publicado originalmente na Você RH em 04/12/2025

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