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Pesquisa mostra realidade e desafios enfrentados pelas mulheres negras

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Mesmo sendo a maioria da população brasileira, as mulheres negras ainda são sub-representadas no mercado de trabalho. Para entender as barreiras que interferem na empregabilidade dessas profissionais, a consultoria Indique Uma Preta e a empresa de pesquisa Box1824 lançam o estudo Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho.

Mais de mil mulheres negras, entre 18 e 65 anos, de diversas regiões do Brasil, participaram do levantamento. Os dados foram coletados via pesquisa on-line entre março e setembro de 2020.

A inserção e ascensão delas dentro das empresas são os dados que mais chamam a atenção, já que o documento aponta que a falta de oportunidades de crescimento profissional é a principal causa de insatisfação entre essas mulheres.

Quando questionadas sobre o assunto, 51% das entrevistadas afirmam que receber promoções foi difícil ou muito difícil nos últimos anos, sendo que esse número vai para 54% entre as mulheres negras de classes C, D e E. Além disso, 37% se disseram insatisfeitas ou muito insatisfeitas com esse fator.

“Quando estabelecidas na carreira, ainda existe o desafio da transição entre empresas e a dificuldade de manter o nível hierárquico conquistado, uma vez que o mercado não promove essas mulheres a cargos mais qualificados com a mesma frequência com que outros perfis são”, afirma Verônica Dudiman, sócia e co-fundadora da consultoria Indique uma Preta.

Para transpor as questões de preconceito, muitas delas fazem um esforço maior para entregar um trabalho acima das expectativas. Com isso, o autodesenvolvimento acaba sendo uma das estratégias apontadas para destaque e reconhecimento dentro das empresas. Isso fica claro ao observar que muitas pretendem continuar se aprimorando para garantir espaço no mercado de trabalho: 43% querem voltar ou continuar a estudar; 31% pretendem fazer cursos específicos de capacitação; e 33% desejam buscar melhores condições de trabalho.

A pesquisa traz também o ponto de vista de líderes das organizações e mostra que, apesar do tema racial e da diversidade terem ganhado mais visibilidade, ainda há muito desconhecimento sobre conceitos básicos e os impactos para a estrutura corporativa, além de ser grande o medo de errar.

“Por não se aprofundarem na multiplicidade de existências, o pouco que caminhamos em medidas afirmativas já é entendido como muito. Por isso acreditam na diversidade de forma mais superficial, sem entender suas múltiplas potencialidades e os benefícios para o negócio”, avalia Malu Rodrigues, pesquisadora cultural e estrategista de conteúdo da Box1824.

Outro ponto de alerta é com relação à presença das mulheres negras em cargos de liderança. De todas as entrevistadas, nenhuma é CEO, e apenas 2% ocupam um cargo na diretoria, índices que reforçam o fato de que 72% não foram lideradas por outras mulheres negras nos últimos cinco anos de trabalho.

Com o objetivo de ajudar as empresas a aumentarem a presença dessas mulheres em suas equipes e identificar suas potencialidades , o estudo identificou três perfis de profissionais que podem contribuir para essa mudança de cenário:

  • Incentivador: deve atuar de forma mais básica, mas pode ter funções importantes na empresa, como sensibilizar e engajar as lideranças, ou ainda quebrar barreiras inconscientes e criar espaços confortáveis para elas no ambiente de trabalho;
  • Catalisador: selecionar, contratar e pensar em soluções dos perfis diversos existentes na instituição, pensando na promoção e reconhecimento. Também pode trabalhar na manutenção e no desenvolvimento delas por meio de feedbacks e métricas de crescimento, além de sensibilizar os demais colaboradores;
  • Transformador: promover mudanças estruturais. Deve pensar estrategicamente para promover investimentos em capacitação e projetar a representatividade em cargos de decisão. Também pode atuar na transformação da reputação da empresa, com performance e inovação.

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