Relatório do Fórum Econômico Mundial mostra desaceleração no avanço das mulheres à alta liderança
As mulheres seguem ampliando sua participação no mercado de trabalho, mas esse avanço perde força à medida que aumentam o poder de decisão e a senioridade dos cargos. É o que mostra o relatório Closing the Gender Gap in Senior Leadership, divulgado em junho de 2026 pelo Fórum Econômico Mundial (WEF).
O estudo aponta que as mulheres ocupavam 29,8% das posições de alta liderança no mundo em 2025. O número representa um avanço em relação aos 26,8% registrados em 2015, mas o ritmo de crescimento desacelerou nos últimos anos. Desde 2022, a evolução da presença feminina nesses cargos perdeu velocidade, indicando que os modelos tradicionais de desenvolvimento e promoção continuam limitando o acesso das mulheres aos espaços de maior poder.
Para o Fórum Econômico Mundial, o desafio não está em preparar mais mulheres para liderar, mas em revisar os sistemas que identificam potencial, desenvolvem talentos e definem quem chega aos cargos de maior responsabilidade. A proposta é que as organizações deixem de adaptar as mulheres aos modelos atuais de liderança e passem a transformar esses modelos para responder às demandas do futuro.
Quanto maior o poder de decisão, menor a presença feminina
Os dados mostram que a participação das mulheres diminui conforme aumenta o nível de responsabilidade dos cargos.
Embora elas ocupem quase um terço das posições de alta liderança, representam apenas 24,6% dos cargos executivos (C-suite). Nos postos de CEO, a participação feminina cai para 19,1%.
O relatório também revela diferenças importantes entre as áreas de atuação. Mulheres representam 64,4% das diretorias de Recursos Humanos, mas continuam pouco presentes em áreas como operações, finanças e tecnologia, que tradicionalmente servem como porta de entrada para os principais cargos de comando.
A desigualdade também aparece nos conselhos de administração. Embora a participação feminina tenha crescido nos últimos anos e alcançado 29,3% das cadeiras em 2024, apenas 5,2% das presidências dos conselhos são ocupadas por mulheres.
O cenário também se repete no Brasil
Os resultados dialogam com a realidade brasileira. Segundo dados divulgados pelo LinkedIn em 2026, as mulheres representam 45,2% das pessoas no mercado de trabalho brasileiro, mas ocupam apenas 32,2% dos cargos de decisão.
O estudo Panorama Mulheres 2025, desenvolvido pelo Insper e pelo Instituto Talenses Group, reforça esse cenário. Entre as 310 empresas analisadas, apenas 17,4% têm mulheres na presidência. Já a participação feminina nas vice-presidências caiu de 34% em 2022 para 20% em 2024.
Além da baixa representatividade nos cargos de maior poder, a desigualdade salarial continua sendo um desafio. Dados do Governo Federal mostram que as mulheres recebem, em média, 21,3% menos do que os homens no setor privado.
O que precisa mudar
Para orientar essa transformação, o relatório apresenta o Future-Fit Leadership Framework, um modelo baseado em quatro frentes para ajudar empresas a revisar a forma como identificam, desenvolvem e promovem lideranças.
As recomendações incluem:
- Revisar os critérios de promoção, valorizando competências cada vez mais relevantes para os desafios atuais, como inteligência emocional, colaboração, capacidade de adaptação e gestão de mudanças.
- Ampliar as oportunidades de desenvolvimento, garantindo que mais mulheres tenham acesso às experiências e redes de relacionamento que favorecem o crescimento profissional.
- Tornar os processos de promoção mais transparentes, utilizando dados para identificar em que etapas as mulheres deixam de avançar na carreira.
- Redesenhar as condições de trabalho, fortalecendo políticas de flexibilidade e apoio ao retorno após licenças prolongadas e reconhecendo que as responsabilidades de cuidado ainda impactam de forma desigual a trajetória profissional de mulheres e homens.
O relatório também chama atenção para um dado importante: as mulheres têm 55% mais probabilidade do que os homens de interromper a carreira. Quando isso acontece, o período médio de afastamento é de 19,6 meses, enquanto entre eles a média é de 13,9 meses. Essas interrupções costumam ocorrer justamente em fases decisivas para promoções e sucessões, tornando ainda mais difícil o acesso aos cargos de maior liderança.
Transformar o sistema, não apenas preparar mulheres
O relatório reforça que ampliar a presença feminina na alta liderança não depende apenas de preparar mais mulheres para ocupar esses cargos. Exige que as organizações revisem os critérios utilizados para reconhecer potencial, desenvolver talentos e definir quem tem acesso às oportunidades de crescimento.
Mais do que cumprir metas de diversidade, trata-se de repensar a forma como a liderança é construída dentro das empresas. Para o Fórum Econômico Mundial, acelerar a equidade de gênero passa por transformar os sistemas que moldam as carreiras e criar organizações capazes de reconhecer diferentes trajetórias, experiências e formas de liderar.
Para ler o documento na íntegra (em inglês), acesse https://bit.ly/3QW72Jx
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