Apenas 5,2% das empresas brasileiras têm uma mulher na presidência
O topo da liderança corporativa no Brasil continua majoritariamente masculino. Apenas 5,2% dos cargos de CEO em empresas brasileiras são ocupados por mulheres, segundo estudo do Evermonte Institute, braço de pesquisa da consultoria especializada em recrutamento de executivos.
O levantamento analisou a trajetória profissional de lideranças em 2.153 empresas e identificou que, embora homens e mulheres levem, em média, o mesmo tempo para alcançar a presidência — cerca de 18 anos e dez cargos diferentes —, as executivas enfrentam um caminho mais exigente até chegar ao topo.
Mais diplomas e mais mudanças de empresa
As CEOs mapeadas acumulam, em média, quase três MBAs ou pós-graduações, enquanto seus pares homens possuem pouco mais de uma formação equivalente. Além disso, passaram por uma média de cinco empresas ao longo da carreira, contra quatro entre os homens.
Para os autores do estudo, essa diferença indica que a chegada à liderança máxima costuma exigir delas uma trajetória mais móvel, marcada por mudanças de contexto, ampliação constante de repertório e investimento contínuo em qualificação.
O principal gargalo está na transição para a diretoria
A etapa mais crítica da carreira, segundo o levantamento, é a passagem da gerência para a diretoria. É nesse momento que ocorre a maior perda de retenção de profissionais, em um período que frequentemente coincide com a maternidade e o aumento das responsabilidades de cuidado.
O dado reforça um desafio recorrente na agenda de equidade de gênero. O problema não está apenas no acesso à presidência, mas nas barreiras que se acumulam ao longo da trajetória profissional e reduzem a presença feminina nos níveis de liderança que alimentam o funil para o cargo de CEO.
Os resultados do estudo reforçam uma discussão central para as empresas. A desigualdade na liderança não se explica pela falta de qualificação ou de experiência, mas pelas condições desiguais de acesso às oportunidades de crescimento, visibilidade e reconhecimento ao longo da carreira. Quando a transição para cargos estratégicos se torna um ponto de maior evasão, o número de candidatas à presidência também diminui.
Liderança feminina ainda está concentrada em alguns setores
O estudo também mostra que a presença de mulheres na presidência das empresas é desigual entre regiões e setores. A maior concentração está no Sudeste, especialmente em São Paulo, e em segmentos como bens de consumo, saúde e serviços.
Já setores ligados à indústria de base, infraestrutura e atividades tradicionalmente masculinizadas continuam registrando uma participação feminina significativamente menor nos cargos de liderança.
O que precisa mudar
Para os autores da pesquisa, ampliar a presença feminina na presidência das empresas exige que a equidade de gênero deixe de depender exclusivamente do esforço individual das executivas e passe a fazer parte da estratégia das organizações.
Isso inclui fortalecer políticas de desenvolvimento de lideranças, ampliar programas de mentoria, garantir processos mais equitativos de promoção e criar condições para que profissionais permaneçam na trajetória de crescimento.
O levantamento reforça um ponto central para a agenda de equidade de gênero. A baixa presença feminina na presidência das empresas não é resultado de falta de competência, mas de um funil de oportunidades que continua restringindo o acesso aos espaços de maior poder e decisão.
Com informações da Forbes Mulher
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