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“Nós podemos transformar o mundo, e já estamos fazendo isso”, diz Paula Goto

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Paula Goto está acostumada a trabalhar em uma área majoritariamente masculina. Com formação em Finanças e Investimentos, ao longo da sua carreira sempre se deparou com homens em cargos de liderança.

Esse cenário está em processo de transformação, e ela tem buscado ser protagonista dessa mudança. Hoje, com 42 anos e esperando um bebê, Paula faz parte da Diretoria Executiva da Previ – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.

A empresa, que é associada do Movimento Mulher 360 e adepta do Pacto das Nações Unidas para as Mulheres e do Club 30, tem criado políticas para a promoção da equidade de gênero. Os resultados podem ser observados por meio dos números: em 2016, a participação delas em cargos de chefia era de 27% e, agora, chega a 34%.

“Ter a participação de uma mulher na Diretoria Executiva da Previ é relevante para o olhar sobre a diversidade de gênero na empresa e sobre os desafios da mulher na carreira. Traz representatividade. E nos leva a refletir sobre cada trajetória profissional e história de vida”, diz a executiva em entrevista ao Movimento.

“Além de toda a capacitação técnica necessária para liderar, sabemos que as mulheres ainda precisam dar mais provas da sua competência e conciliar mais tarefas da vida pessoal com as da vida profissional. Por isso, acredito que o grande segredo é acreditarmos em nós mesmas. Nós podemos transformar o mundo, e já estamos fazendo isso”, complementa.

Confira.

MM360 – No mercado financeiro ainda predomina a figura masculina. Ao optar por uma formação dentro dessa área, você enfrentou algum tipo de dificuldade justamente por ser mulher?
Ingressei no Banco do Brasil cedo, aos 20 anos de idade. Já nos primeiros anos de carreira comecei a atuar em cargos de liderança, como gerente geral de agência. Em 2018, fui eleita pelos associados da Previ como diretora de Planejamento. A Previ é a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Fundada e gerida pelos próprios participantes, a sua história se mistura com a do funcionalismo do BB, onde tivemos o primeiro concurso para o ingresso de mulheres em 1967.

Vivemos em sociedade e não é possível deixar de considerar que estamos inseridas em um contexto maior, da mulher no mercado de trabalho, e que ainda tem um longo caminho pela frente para chegar à equidade. A maioria dos cargos de liderança com os quais me deparei ao longo de minha trajetória profissional sempre foi ocupado por homens. Mas estamos trabalhando para mudar isso.

Felizmente estamos avançando rapidamente, e essa realidade vem se modificando com o avanço da própria pauta de diversidade e de equidade.

Na Previ, por exemplo, existem mulheres em todas as instâncias, desde o segmento técnico até a Diretoria Executiva. Cerca de 34% dos cargos de chefia são ocupados por mulheres – um número que só aumentou nos últimos anos. Em 2016, por exemplo, era 27%. A tendência é aumentar ainda mais.

MM360 – Como você enxerga o avanço da pauta de equidade de gênero no mercado de trabalho? O que é possível fazer para acelerarmos esse processo nas empresas?
A pauta da diversidade e da equidade de gênero avança na medida da materialidade das ações empreendidas pelas empresas, governo e sociedade civil organizada.

O papel da alta liderança é fundamental para promover um espaço plural e inclusivo. Em um mundo em transformação, como agentes permanentes da mudança que somos, precisamos ser vocais nos espaços onde atuamos.

Nesse sentido, ações afirmativas visando a inclusão e a aceleração das iniciativas que endereçam equidade são não somente desejadas como necessárias. Precisam ser implementadas.

MM360 – Atualmente você ocupa um cargo de liderança dentro da Previ. Como foi esse processo e de que forma isso tem impactado no crescimento de outras colaboradoras?
Ter a participação de uma mulher na Diretoria Executiva da Previ é relevante para o olhar sobre a diversidade de gênero na empresa e sobre os desafios da mulher na sua carreira. Traz representatividade. E nos leva a refletir sobre cada trajetória profissional e história de vida.

A minha se inicia aos 17 anos com vivência no Japão, onde aprendi muito sobre diversidade cultural. Quando ingressei no BB aos 20, já estava acostumada a qualquer mudança regional em função de trabalho. O que me permitiu vivência em diversas regiões e desafios profissionais.

Hoje, aos 42, grávida do Miguel Jun, me junto às muitas mulheres nesta delícia e desafio que é conciliar a vida profissional com a maternidade e com o sentimento de que a sociedade ainda precisa evoluir muito para alcançar a equidade. Para buscarmos nossos sonhos, precisamos acreditar em nós mesmas, mas também precisamos de apoio.

MM360 – Quais são as principais ações da Previ para promover a equidade de gênero e garantir uma equipe mais diversa?
Em 2018 foi criado o Comitê Pró-Equidade de Gênero, Raça e Diversidade para difundir a cultura de equidade em nossa Entidade.

Na Previ, acreditamos que a diversidade é capaz de conquistar profissionais talentosos. Uma equipe mais diversa pode aumentar a satisfação e melhorar a tomada de decisões, o que leva a um círculo virtuoso de retornos crescentes.

O Comitê tem por objetivos combater qualquer forma de discriminação no acesso, na remuneração, na ascensão e na permanência no emprego. Além de incentivar a promoção da equidade por intermédio de práticas de gestão de pessoas e de mudança da cultura.

Não nos limitamos somente à Previ, mas também incentivamos a diversidade nas empresas em que somos acionistas, começando pela nossa seleção de conselheiros que serão indicados para essas companhias. Em 2015, apenas 12% das indicações eram de mulheres. Nesse último processo seletivo de 2020, essa proporção chegou a 25%. Esse número está bem acima da média do mercado.

Além de fazermos parte do MM360, também somos adeptos do Pacto das Nações Unidas para as Mulheres e do Club 30, que incentiva a participação de mulheres nos processos seletivos de conselheiras.

MM360 – Qual sua dica para as mulheres que têm ambição de ocupar cargos de liderança?
Além de toda a capacitação técnica necessária para liderar, sabemos que as mulheres ainda precisam dar mais provas da sua competência do que homens e precisam conciliar mais tarefas da vida pessoal com as da vida profissional. Por isso, acredito que o grande segredo é acreditarmos em nós mesmas. Nós podemos transformar o mundo, e já estamos fazendo isso.

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