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“Os homens devem ser parceiros estratégicos na mudança cultural frente à equidade de gênero”, diz Wellington Silvério, diretor de RH da John Deere

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Estimular os homens para que se juntem aos diversos fóruns de discussões é uma das dicas do diretor de Recursos Humanos para América Latina da John Deere, Wellington Silvério, para que eles possam contribuir para a equidade de gênero.

O executivo tem contribuído para criar um ambiente de trabalho engajado na diminuição das disparidades entre homens e mulheres e atua como membro do conselho de Diversidade e Inclusão, liderando o comitê para América Latina, além de ser participante ativo do pilar de gênero dentro da corporação.

“Os homens devem ser parceiros estratégicos na mudança cultural frente ao tema. Ao assumirem papel efetivo na inclusão em seu entorno, certamente sua influência predicando com o exemplo será percebida como elemento catalizador para que a mudança se acelere”, afirma.

Silvério acredita que a principal barreira para garantir maior envolvimento e conscientização dos colaboradores masculinos em prol do empoderamento feminino é o machismo existente na cultura latina.

Em entrevista ao Movimento Mulher 360, o diretor aponta alguns caminhos para um cenário mais equitativo por meio da participação masculina. Confira.

MM360 – Na sua opinião, qual é o papel dos homens para alcançarmos a equidade de gênero no ambiente corporativo?

Wellington Silvério – Assumirmos o papel de aliados da causa, promovendo discussões, liderando com orgulho e entusiasmo ações afirmativas em todos os níveis da organização, nos expondo mais e gerando a influência necessária. Creio que a ação mais importante seja a própria conscientização, abandonando, assim, as ditas ações “politicamente corretas” e adotando o que eu chamaria de “ações genuínas”. Se a cada dia, como homens, nos comprometermos a sensibilizar e educar outro colega, ao final teremos um grupo com outra atitude em nossas organizações. Meu convite aos homens seria para que, em definitivo, saiamos da “vala comum” e efetivamente façamos ações transformadoras, além das belas palavras.

MM360 – Por que considera importante o envolvimento dos homens para diminuir as disparidades entre homens e mulheres no ambiente corporativo?

Wellington Silvério – Penso que os homens devem ser parceiros estratégicos na mudança cultural frente ao tema. Ao assumirem papel efetivo na inclusão em seu entorno, certamente sua influência predicando com o exemplo será percebida como elemento catalizador para que a mudança se acelere.

MM360 – Tem visto maior envolvimento e conscientização dos homens sobre a causa?

Wellington Silvério – Penso que se trata de uma jornada longa, desafiante e muito cativante ao longo do caminho. Ainda que existam frustrações naturais em alguns momentos, sim, vejo o envolvimento e conscientização crescentes nos diversos níveis, mas sem dúvida a constância, persistência e ânimo elevado se traduz em sucesso futuro.

MM360 – Como e quando começou a se envolver com a causa equidade de gênero?

Wellington Silvério – Desde 2005 tenho me envolvido com os esforços no desenvolvimento de um ambiente de trabalho engajado, onde a equidade de gênero possa ser observada como um grande valor e diferencial no ambiente organizacional e em nossa sociedade. Ao longo dos últimos 14 anos, seja figurando como membro do conselho de Diversidade e Inclusão, líder de comitê para América Latina ou participante ativo do pilar gênero, sempre busquei a sensibilização, educação e compromisso das pessoas para com o tema, com o intuito de fazer florescer um novo entendimento frente ao grande valor da mulher em nossa sociedade e organizações.

MM360 – O que tem feito para disseminar o assunto na empresa?

Wellington Silvério – Dentre outros, sou um dos coordenadores do Conselho de Diversidade e Inclusão para América Latina, responsável pela consolidação do tema equidade de gênero como um de nossos pilares em sustentação à mudança cultural em nossa organização. Parte da estratégia foi a criação da posição de Gerente de Diversidade, Inclusão e Atração de Talentos, com reporte diretamente a mim, consolidando assim nosso compromisso com um ambiente cada vez mais diverso e inclusivo.

MM360 – Quais barreiras pessoais e profissionais enfrentou para introduzir o tema na empresa? Como tem feito para superá-las?

Wellington Silvério – Penso que a principal barreira é nossa cultura machista de latinos que somos. A melhor maneira de superar é a contínua educação e enfrentamento conciliador e inteligente, através do exemplo pelo simples fazer.

MM360 – Compartilhe algumas dicas de como os homens podem participar da discussão e colaborar para um ambiente de trabalho mais equitativo.

Wellington Silvério – Aqui na empresa temos estimulado os homens para que se juntem aos diversos fóruns de discussões e mostrem a cara. Muitas vezes não participam, pois acreditam erroneamente que será uma simples discussão sobre promoções de mulheres, mas na realidade buscamos uma etapa bem anterior a essa que seria perceber e considerar o talento feminino em igualdade de condições. Ser parceiro no lugar de ser o crítico defensivo. A dica é participação no fronte e muita ação.