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Lei pioneira demanda presença feminina em conselhos diretores em empresas na Califórnia, EUA

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De acordo com a Associated Press, lei pioneira que apoia a equidade de gênero nas empresas de capital aberto com sede no estado norte-americano, foi aprovada no último domingo, 30/9, na Califórnia, EUA, pelo governador democrata Jerry Brown. O decreto diz que ao menos uma mulher deve fazer parte dos conselhos de administração destas empresas até o final de 2019.

Em 2021, esse número aumentará para o mínimo de 3 mulheres por conselho devendo ser proporcional as cadeiras disponíveis. Hoje, cerca de 25% dos conselhos na Califórnia não têm mulher em sua composição.

O estado americano, que abriga o Vale do Silício, é a principal economia dos Estados Unidos com PIB de US$ 2,7 trilhões aproximadamente.

Hannah-Beth Jackson, senadora e autora do projeto de lei, SB 826, diz que uma maior presença feminina nestes grupos poderá colaborar com a diminuição dos casos de abuso sexual no ambiente de trabalho. Ela também afirma que as mulheres tendem a ser mais colaborativas e melhores multitarefas do que os homens, podendo oferecer melhores resultados.

“[A sala de reuniões] é um dos últimos bastiões do total domínio masculino”, disse Jackson. “Sabemos que o público e os negócios não estão sendo bem servidos por esse nível de discriminação”.

Empresas que não se enquadrarem na proposta podem ser multadas em US$ 100.000 por uma primeira violação e US$ 300.000 por violações subsequentes. A lei também diz que as companhias devem relatar a composição dos comitês ao conselho de Estado da Califórnia.

Alguns países europeus, incluindo França e Noruega, já obrigam que os conselhos corporativos incluam membros do sexo feminino.

A falta de diversidade é o maior desafio nos conselhos de administração das maiores empresas do Brasil, por exemplo, segundo estudo da consultoria SpencerStuart. A pesquisa compara a realidade das companhias brasileiras com a realidade de outros 20 países para mostrar que a inclusão de mulheres como titulares e suplentes de conselhos não chega a 10% no país.

E a mudança desse cenário encontra obstáculos. Segundo a copresidente da organização Women Corporate Directors (WCD), Leila Loria, a meta é que recrutadores se comprometam a incluir ao menos uma mulher entre os indicados. Embora as companhias não sejam mais explícitas em relação a preconceitos, Leila diz que elas “recebem uma lista, só escolhem homens e não sabem verbalizar razões”.

Com informações da Época Negócios.