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Presença da mulher na liderança ficou maior, mas ainda longe do equilíbrio

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A indústria automotiva conta com 83% dos cargos em empresas da cadeia produtiva ocupados por homens. O dado faz parte da pesquisa Presença Feminina no Setor Automotivo, levantamento inédito realizado por Automotive Business em parceria com a MHD Consultoria no segundo semestre de 2017. A pesquisa foi apresentada com exclusividade na terça-feira, 20/02, durante o I Fórum Presença Feminina no Setor Automotivo. O objetivo principal do evento foi promover um debate sobre os caminhos para que as empresas automotivas se tornem mais diversas, sustentáveis e lucrativas.

O foco do levantamento foi gerar conhecimento sobre a participação da mulher no setor automotivo e munir as empresas com informação para discutir e fomentar a diversidade. O conteúdo do evento vai compor o relatório final da pesquisa, que será divulgado em março nas plataformas digitais da Automotive Business.

O estudo apontou uma alarmante diferença salarial entre homens e mulheres, presente desde as posições iniciantes. Entre estagiários, as profissionais do sexo feminino recebem remuneração 0,8% inferior à dos colegas do sexo masculino. Em cargos mais altos, a diferença chega a 33,8% de desvantagem para as mulheres que ocupam cadeira de vice-presidente ou presidente de companhias automotivas.

A pesquisa focou em fabricantes de autopeças e montadoras de veículos, que representam 68% dos participantes do estudo. Apesar disso, o levantamento, foi aberto e contou com respostas de outros elos da cadeia automotiva, como fornecedores de insumos e de serviços. Ao todo, foram 127 respostas em um universo-alvo de menos de 500 empresas, o que garante, portanto, alta confiabilidade. O objetivo foi entrevistar responsáveis por áreas de recursos humanos das companhias automotivas.

Aumento da participação da mulher durante a crise

A pesquisa realizou comparação entre os dados de 2017 e os de 2013 – período pré-crise em que o setor automotivo teve pico no nível de empregos. Segundo o levantamento, houve um saldo positivo. Nesse período, a participação das mulheres no quadro de colaboradores das empresas entrevistadas cresceu de 15% para 17%, com os homens mais afetados pela redução no número de trabalhadores durante a crise.

De acordo com Paula Braga, diretora da Automotive Business e líder do projeto Presença Feminina no Setor Automotivo, os dados da pesquisa não explicam o motivo da redução maior no número de funcionários homens. “Mas os salários, em geral, mais baixos pagos às mulheres podem ter garantido certa proteção aos seus empregos nesse período de contração do mercado. É possível ainda que mudanças culturais tenham contribuído para este cenário ou que o nível mais elevado de escolaridade das profissionais do sexo feminino tenha feito a diferença”, disse Paula.

Presença da mulher na liderança ainda longe do equilíbrio

Outro destaque da pesquisa foi o aumento considerável da participação da mulher na liderança das empresas entrevistadas: houve aumento de 52,7% no número de colaboradoras em cargos de diretoria entre 2013 e 2017. Apesar do aumento, o número absoluto ainda é pequeno: são 84 mulheres diretoras entre as companhias participantes do estudo. Na análise que envolvem posições de vice-presidência e presidência, o número permanece estável, com 17 mulheres nestas posições.

Infelizmente, o cenário geral é de desigualdade na liderança da indústria automotiva. Apenas 40% das empresas entrevistadas contam com mulheres em cargos de diretoria. Quando analisada a vice-presidência e a presidência, as posições são ocupadas por profissionais do gênero feminino em apenas 13% das empresas pesquisadas.

No quadro total de funcionários, só 0,6% do total dos trabalhadores das empresas entrevistadas são mulheres em posição de liderança. Esse número é pequeno se considerado que, em média, uma grande empresa industrial tem de 3% a 5% de seus colaboradores na liderança.

Mesmo com presença menor na liderança, a mulher é mais escolarizada do que os homens na indústria automotiva. Das empresas que participaram do estudo, 37% do quadro feminino de funcionárias têm ensino superior completo e 8% têm especialização. Entre os homens que trabalham nas empresas do setor, apenas 23% têm ensino superior e só 6% fizeram um curso de especialização.

Participação do Movimento no evento

Além de ser um dos parceiros institucionais do Fórum, o Movimento Mulher 360 também fez parte do Grupo de Influência – que contou com um time de especialistas que debateu os resultados da pesquisa e apontou soluções.

No painel “Os aprendizados de outros setores na promoção da diversidade”, Margareth Goldenberg, gestora executiva do MM360, falou sobre as lições das grandes empresas que se uniram no Movimento Mulher 360 para trocar experiências e encontrar caminhos para promover a igualdade de gênero.

O bate-papo contou com a participação de Fátima Gouveia, Superintendente Executiva de RH do Santander, Bárbara Galvão, responsável por Diversidade e Inclusão Brasil da Unilever, Margareth Goldenberg, Gestora Executiva do MM360 e mediação de Giovanna Riato, Editora da Automotive Business.

“A pesquisa e o debate sobre a presença feminina no setor automotivo é um passo importante para estimular as empresas a avançar com a equidade de gênero, já que temos apenas 0,6% de mulheres na liderança neste setor. Compartilhar boas práticas das empresas do MM360 é uma forma de colaborar nesse caminho”, disse Margareth.

Com informações do portal Automotive Business