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Violência contra a mulher é tema de pesquisa lançada pela ONU Mulheres Brasil

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A primeira semana dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres contou com o lançamento de uma pesquisa relevante sobre esse tema, que é o estudo “Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, lançado pela ONU Mulheres Brasil.

A ONU, neste ano, adotou o tema “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres e meninas” em referência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Ao todo, 10 mil mulheres foram entrevistadas – que representam 5 milhões que vivem nas nove capitais do Nordeste. Em Maceió (69%) e Recife (53%) a frequência da violência doméstica desponta com incidência considerável (às vezes, frequente ou sempre) nos últimos 12 meses.

A pesquisa tem três relatórios executivos: Condições Socioeconômicas e Violência doméstica e familiar (dezembro, 2016)| Violência doméstica e seu impacto no mercado de trabalho e na produtividade das mulheres (agosto, 2017) | Violência doméstica, violência na gravidez e transmissão entre gerações (outubro, 2017).

A iniciativa da pesquisa é da Universidade Federal do Ceará, Institute for Advanced Study in Toulouse e o Instituto Maria da Penha, em cooperação com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, com apoio do Instituto Avon e parceria de divulgação da ONU Mulheres Brasil.

Destaques da pesquisa

Segundo a publicação, 27% das mulheres nordestinas, com idades entre 15 e 49 anos, já foram vítimas de violência doméstica ao longo da vida e 17% das nordestinas foram agredidas fisicamente pelo menos uma vez na vida. Natal, Salvador, Fortaleza foram apontadas como as cidades mais violentas ao longo da vida das mulheres, em termos de violência doméstica física. Nos últimos 12 meses, 11% das mulheres nordestinas foram vítimas de violência psicológica, enquanto 5% sofreram agressões físicas e 2% violência sexual no contexto doméstico e familiar.

O relatório “Violência doméstica, violência na gravidez e transmissão entre gerações”, divulgado em outubro deste ano, mostra que as mulheres que sofrem agressões físicas durante alguma gestação ao longo da vida (6% no universo de 10 mil mulheres), 77% são mulheres negras. Além disso, 24% das mulheres negras vivenciaram a ocorrência de violência doméstica contra suas mães, enquanto a mesma situação foi vivenciada por 19% das mulheres brancas.

Impacto no mercado de trabalho

Muitas mulheres ainda recusam ou desistem de trabalhos por influência da recusa do parceiro. De acordo com o relatório “Violência Doméstica e seu Impacto no Mercado de Trabalho e na Produtividade das Mulheres”, as mulheres vítimas de violência doméstica no Nordeste, nos últimos 12 meses, 23% recusaram ou desistiram de alguma oportunidade de emprego nesse mesmo período de referência porque o parceiro era contra. Já 9% das mulheres não vitimadas pelos parceiros afirmaram ter recusado alguma oportunidade de emprego.

O relatório mostra que as mulheres vítimas de violência doméstica nos últimos 12 meses “reportam menor frequência no exercício de sua capacidade de concentração, na capacidade de dormir bem, em tomar decisões, além de se sentir frequentemente estressada e menos feliz em comparação as mulheres não vitimadas pelos parceiros. Tais evidências indicam que a violência doméstica pode deteriorar o estado emocional da mulher, bem como reduzir sua capacidade de concentração e tomada de decisão que são fundamentais no exercício de qualquer atividade no mercado de trabalho.”

No Nordeste, as mulheres que são vítimas de violência doméstica têm uma duração média de emprego 21% menor do que a duração daquelas que não sofrem violência e possuem um salário cerca de 10% menor do que aquelas que não são vítimas de violência. Ser vítima de violência doméstica se correlaciona negativamente com a produtividade e o salário-hora da mulher, e esse efeito é maior em mulheres negras.

Fonte: ONU Mulheres Brasil

  • Sandra Martins

    Como é que pode? É escandaloso qdo vc começa a se inteirar de um assunto desses e descobrir que existe tanta miséria humana no mundo.