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ONU alerta que austeridade fiscal ameaça igualdade de gênero no mercado de trabalho

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A era de hiperglobalização falhou em produzir um número suficiente de bons empregos para a massa total de trabalhadores, enquanto as mulheres têm sido cada vez mais integradas ao mercado de trabalho por meio de empregos de menor qualidade.

Essa é uma das conclusões do relatório “Trade and Development Report, 2017: Beyond Austerity – Towards a Global New Deal” (Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2017: para além da austeridade — rumo a um novo pacto global), divulgado no dia 14 de setembro, na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Os bons empregos estão associados ao trabalho no setor formal – área em que os rendimentos são maiores, as condições de trabalho são melhor reguladas e o crescimento profissional, mais acessível. Já a escassez de bons empregos é provocada por políticas globais predominantes de austeridade fiscal, junto às mudanças estruturais tecnológicas.

Segundo a UNCTAD, a exclusão das mulheres dos bons empregos aumenta a desigualdade geral, ao reduzir a parcela do trabalho na renda nacional, e traz consequências negativas para a demanda agregada e para o crescimento.

Entre os anos de 1990 e 2014, a taxa de emprego dos países desenvolvidos caiu em 80%; a redução média, nos países onde isso ocorreu, foi de 5,3%, enquanto a taxa de emprego das mulheres aumentou, em média, 2,3%.

Mais da metade dos países em desenvolvimento registrou declínio (em média, de 2,7%) na taxa de emprego dos homens e aumento (de 6,3%) na taxa de emprego das mulheres.

Houve um aumento das taxas de emprego das mulheres — que ocorre por meio de trabalhos de menor qualidade. Esse fato coincide com a queda das taxas de emprego dos homens — que têm perdido empregos de maior qualidade. Apesar de isso acontecer de forma mais forte em economias avançadas, é uma característica preocupante nos mercados de trabalho em todo o mundo.

Próximos passos

O relatório afirma que a maior participação das mulheres na força de trabalho não é garantia de crescimento inclusivo e desenvolvimento. Ainda é preciso que ocorra a facilitação do acesso das mulheres ao emprego digno – especialmente por meio de investimentos em infraestrutura social que possibilitem às mulheres equilibrar o trabalho remunerado com as atividades não remuneradas.

Tendo em vista os desafios de emprego associados à mudança estrutural e tecnológica, e o fato de que a responsabilidade primária pelo trabalho assistencial ainda recai sobre as mulheres, em longo prazo, a UNCTAD recomenda que a transformação das atividades assistenciais remuneradas e não remuneradas em trabalho digno deve se tornar parte integral das estratégias destinadas à construção de economias mais inclusivas.

Com informações da ONU