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Diferença salarial entre gêneros aumenta no decorrer da carreira, diz pesquisa

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Nos primeiros 15 anos de carreira, a diferença salarial entre mulheres e homens brasileiros dobra, e as interrupções que acontecem na jornada das profissionais mais produtivas explicam boa parte dessa diferença.

É o que afirma um estudo inédito que analisou informações de trabalhadores com registro formal para investigar as razões do aumento da distância salarial entre os homens e as mulheres no País. Os autores são os economistas Gustavo Gonzaga (PUC-Rio), Rodrigo Soares (Universidade Columbia) e Eduardo Fraga (Universidade Yale).

Segundo o levantamento, a diferença na remuneração por hora começa em 15%, por volta dos 21 anos, e aumenta para 34%, aos 36. Para cada R$ 100 que um homem ganha no início da sua carreira profissional, uma mulher com as mesmas características recebe R$ 85. Uma década e meia depois, sua remuneração equivale a R$ 66 para cada R$ 100 do homem.

O estudo conta com a comparação entre trabalhadores com escolaridade, ocupação e tempo de serviço semelhantes, usando o banco de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

De acordo com a pesquisa, as pausas nas carreiras das mulheres mais produtivas – e mais bem remuneradas- são responsáveis por 32% do aumento da diferença salarial entre homens e mulheres. O estudo não informa outras explicações para o salto, mas há uma hipótese de que entrariam fatores como discriminação de empregadores ao definir salários e promoções.

Em matéria publicada na Folha de S. Paulo, Gustavo disse que “não dá para afirmar que o preconceito explica os 68% restantes do aumento da diferença salarial, embora ele esteja aí dentro. O que dá para dizer é que o preconceito é substancial.”

Detalhes da pesquisa

No estudo, os economistas examinaram a evolução profissional do grupo de homens e mulheres que nasceram em 1974 e construíram uma espécie de indicador de talento individual. A ideia é que a diferença salarial entre pessoas com escolaridade, tempo de serviço, setor e outras características iguais se deve, em alguma medida, a outras habilidades que as tornam mais produtivas (entre elas, poderiam estar traços da personalidade, como qualidade da educação que receberam e a persistência).

A partir dessa informação, os autores perceberam que a presença dessas mulheres mais habilidosas no mercado se reduz bem mais do que a dos homens mais produtivos no início da vida profissional.

Uma das possibilidades que os autores presumem é que a saída mais frequente possa estar associada à maternidade e ao fato de que essas profissionais se casam com homens com características parecidas e remuneração maior.

Com informações da Folha de S. Paulo.