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Estudo revela dados de sexo e raça no Brasil

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As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais por semana do que os homens. Quando o assunto são as atividades não remuneradas, mais de 90% do público feminino declara realizar atividades domésticas – proporção que se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos, assim como a dos homens (em torno de 50%).

Os dados são do estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado no dia 6 de março, com base em séries históricas de 1995 e 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O objetivo é disponibilizar informações sobre a situação de mulheres e homens, e negros e brancos em nosso país. Para isso, o estudo apresenta indicadores da PNAD sobre diferentes campos da vida social, de forma a disponibilizar um panorama atual das desigualdades de gênero e de raça no Brasil e também as suas interseccionalidades.

A pesquisa começou em 2004 e, atualmente, resulta de uma parceria entre Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ONU Mulheres (Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres) e SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres no Ministério da Justiça e Cidadania).

Renda e afazeres domésticos

Cada vez mais, os lares brasileiros estão sendo são chefiados por pessoas do sexo feminino. Em 1995, 23% dos domicílios tinham mulheres como pessoas de referência. Esse número aumentou para 40% nas duas décadas seguintes. Elas estão trabalhando mais devido à dupla jornada, e ganhando menos do que os homens, apesar de a escolaridade ser mais alta entre elas.

A pesquisa destacou que quanto mais alta a renda, menor a proporção das entrevistadas afirmaram realizar afazeres domésticos. Da parcela com renda de até um salário mínimo, 94% dedicavam-se aos afazeres domésticos. Já as com renda superior a oito salários mínimos, a porcentagem era menor: 79,5%. A parcela dos homens que declararam realizar trabalho doméstico é maior entre os que têm renda mais alta: 57% dos que recebiam de 5 a 8 salários mínimos diziam realizar esses afazeres, proporção que cai para 49% entre os que tinham renda mais baixa.

Remuneração e educação

Entre 1995 e 2015, o rendimento das mulheres negras foi o que mais valorizou, sendo de 80%, e o dos homens brancos foi o que menos cresceu (11%). Apesar disso, a escala de remuneração ficou inalterada em toda a série histórica: homens brancos têm os melhores rendimentos, seguidos de mulheres brancas, homens negros e mulheres negras.

Mais brasileiros e brasileiras chegaram ao nível superior, mas a diferença de escolaridade entre raças ainda é alta. No período entre 1995 e 2015, a população adulta negra com 12 anos ou mais de estudo passou de 3,3% para 12%. Porém, o patamar alcançado em 2015 pelos negros era o mesmo que os brancos tinham já em 1995. Já a população branca, praticamente dobrou nesses 20 anos, variando de 12,5% para 25,9% – quando considerado o mesmo tempo de estudo.

Fonte: Ipea
Imagem: WomeninTech