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Movimento Mulher 360 reúne CEOs para promover a equidade de gênero

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CEOs da Cargill, DelRio, Duratex, Natura, Nestlé, Johnson & Johnson, Microsoft, Unilever, Walmart e Whirlpool se reuniram para debater vieses inconscientes de gênero que impedem a mulher de avançar no mercado de trabalho

Na manhã desta quinta-feira (4/08), o Movimento Mulher 360 realizou a primeira edição do Café da Manhã com CEOs, na nova sede da Johnson & Johnson, em São Paulo. O objetivo foi criar um espaço para debater sobre as diversas iniciativas e práticas realizadas pelas empresas para promover a equidade de gênero e debater os vieses inconscientes – barreiras invisíveis que impedem as mulheres de avançar para cargos de liderança no mercado de trabalho.

No encontro, Tatiana Trevisan, diretora do Movimento Mulher 360, apresentou alguns dados que ilustram o cenário feminino no mundo corporativo, como: menos de uma em 10 empresas são lideradas por mulheres; dos 95 países independentes do mundo, apenas 16 têm mulheres na liderança; apenas 4% dos Top 500 CEOs da Fortune são mulheres; e, se o cenário atual não mudar, a mulher alcançará a igualdade empregatícia e salarial apenas em 2095.

Segundo Tatiana, a equidade de gênero é um compromisso que deve ser assumido pela alta liderança para que ocorram mudanças estruturais na corporação. “É a liderança máxima da empresa que deve definir este tema como prioridade estratégica e acompanhar o desdobramento em metas, objetivos e indicadores. Este encontro com CEOs das empresas associadas ao Movimento Mulher 360 demonstra o engajamento com a criação de ambientes com igualdade de oportunidades e equidade como valor compartilhado por todos e todas.”

Vieses inconscientes

Os CEOs discutiram os principais vieses inconscientes presentes no dia a dia das empresas e que são, em sua maioria, invisíveis, impedindo as mulheres de avançar em suas trajetórias profissionais. O debate foi mediado por Margareth Goldenberg, consultora executiva do Movimento Mulher 360.

A crença de que a cultura corporativa é masculina, principalmente nas áreas de tecnologia e suply chain, e o preconceito de gênero inerente no processo de recrutamento e promoção foram alguns dos vieses mais debatidos. “A primeira grande mudança que deve ocorrer nas empresas é a consciência de que essas barreiras inconscientes existem e, depois, enxergar o impacto que elas têm dentro das organizações”, comentou Duda Kertész, Presidente da Johnson & Johnson Consumo no Brasil.

“Hoje, temos 45% de mulheres na J&J em cargos de gerência ou acima, e podemos melhorar. Nosso processo de seleção de novos colaboradores ou de promoções tem, por princípio, sempre ter uma mulher concorrendo. Claro que o critério de escolha sempre será a meritocracia e a competência, mas ter uma mulher concorrendo já é uma forma de combater os vieses inconscientes”, completou Duda.

Além da exposição de dados, os CEOs compartilharam experiências pessoais para exemplificarem como agem para combater esses vieses. Roberto Lima, CEO da Natura, chamou atenção para a diversidade de gênero: “Hoje, temos 36% de mulheres em cargos de liderança. A nossa meta é termos 50% até 2020”, disse.

Para Fernando Fernandez, CEO da Unilever Brasil, cabe às empresas investirem em um ambiente propício para o desenvolvimento da equidade de gênero. “A Unilever prepara as mulheres para assumirem cargos de liderança, inclusive nas áreas consideradas mais masculinas, como vendas e suply chain. Hoje, temos mais de 50% de mulheres em cargos de gerencia na empresa”, afirmou o executivo.